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O futuro das artes tradicionais (desafios para 2018)

Guião para uma prática ativista

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O futuro faz-se no presente. Com o passado. Com o que somos. Criando um novo tempo para os saberes ancestrais.

As artes tradicionais não têm de estar condenadas à sua conjugação no tempo passado. Despertadas apenas na memória ou em recriações etnográficas. Pedaços de história a ecoar de um lugar distante.

Acreditamos que agir pela sustentabilidade das artes tradicionais é legar no presente o seu futuro. Agora.

É parar com a contagem decrescente, a que assistimos nas últimas décadas, em compasso acelerado. Tanoeiro: extinto. Albardeiro: extinto. Canteiro: extinto. Latoeiro: um artesão com mais de 80 anos. Empreita: uma média de idades superior a 70 anos. Esparto, cestaria, tabua, tecelagem… os que se seguem na lista da iminente extinção.

É agir pela sua reativação na economia, num tempo em que o mercado desperta para o produto artesanal, carregado de história, produzido com materiais naturais e preceitos enraizados na cultura local. Em que a factualidade das alterações climáticas mostra à humanidade a necessidade de um consumo responsável.

É passar conhecimentos às gerações mais novas. Dar aos mais velhos a possibilidade de serem mestres e com isso prestar a nossa homenagem a uma vida de sabedoria e dedicação.

É valorizar os saberes artesanais apurados ao longo de séculos de prática. Retirar-lhe de cima o fardo de uma visão negativa e perniciosa da ruralidade e do trabalho manual.

É trazer inovação para o processo e para o contexto. Criar constantemente novas soluções que a mantenham atual, útil e apetecível.

É profissionalizar a atividade. A grande maioria dos artesãos das artes tradicionais algarvias é reformada, exerce esta atividade de forma complementar, e vê nela, acima de tudo, uma legítima função social, de ocupação dos tempos livres e realização pessoal. Comercializam os produtos nos mercados locais, sem fazer depender disso a sua economia. O facto de não refletirem no preço o devido valor da sua produção, inibe o processo de consciencialização do consumidor e atração de novos artesãos.

Temos dado um contributo, à nossa escala. Somos uma pequena empresa de turismo responsável que agarrou este projeto porque acreditou que valia a pena tentar. Afinal que lugar podemos esperar do interior algarvio, estando ele esvaziado de gente e de cultura? Que turismo responsável poderemos promover?

Neste momento podemos afirmar com satisfação que conseguimos ativar o ofício da latoaria formando 4 novos latoeiros (projeto realizado em parceria da autarquia de Silves e Junta de Freguesia de Messines com o apoio da EDP através do “Programa Tradições”). Em 2016 colaboramos com a Câmara Municipal de Loulé na conceção e desenvolvimento de um curso para formar e instalar novos caldeireiros (a oficina-loja encontra-se a funcionar na Rua da Barbacã em Loulé).

Fechamos o quarto ano de dinamização do TASA com um saldo positivo, com mais parceiros, clientes, produtos e projetos em colaboração.

E na entrada do novo anos daremos um passo ainda mais desafiante. Investiremos por nossa conta e com o apoio de patrocinadores privados, na capacitação de novos artesãos dos entrelaçados motivados para integrar a nossa equipa.

O nosso maior desejo para 2018 é ver no horizonte o futuro das artes tradicionais. E continuarmos a agir movidos por essa missão: que as técnicas ancestrais sejam efetivamente profissões com futuro.

Projeto TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Atuais
  • PROMOTOR:
    CCDR
  • GESTÃO DO PROJETO:
    ProActive Tur
  • APOIOS:
    Algarve 21